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Lentes de Contato e a AIDS

AIDS

Definição

        A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é uma manifestação clínica tardia da infecção causada pelo vírus HIV. Esta infecção pelo HIV leva à imunossupressão progressiva, principalmente da imunidade celular, com conseqüente desrregulação imunológica.

Epidemiologia

        De acordo com o “Center for Desease Control” (CDC) de Atlanta – 1983, a AIDS é uma doença que afeta indivíduos infectados pelo HIV e que apresenta quadro de imunodeficiência celular, expresso clinicamente por infecções oportunistas e tumores malignos. Constitui-se num dos mais importantes problemas de saúde pública.

Transmissão

        A transmissão do HIV pode ocorrer através do contato sexual, contaminação do sangue e seus derivados, uso de drogas endovenosas e de mãe para filhos (também chamada de transmissão vertical ou perinatal).

          O vírus HIV foi isolado em sêmen, sangue, secreção vaginal, leite materno, lágrima, urina, fezes, líquor e saliva. No entanto, somente os quatro fluidos são significativos do ponto de vista contágio.

        Foi detectada a transmissão do HIV através de doações de rins, fígado, coração e outros órgãos. Apesar do vírus ter sido isolado na córnea, não há documentação de caso adquirido a partir do transplante deste órgão. Devido à gravidade da infecção, mesmo apresentando baixo risco de contágio, toda preocupação é válida e exige triagem sorológica do doador.

Biossegurança

        Em um hospital ou clínica, tanto funcionários quanto usuário estão sujeitos a diversos riscos, dentre eles os biológicos (doenças infecciosas, como tuberculose, hepatite B e C, AIDS). Estima-se que o risco de aquisição profissional, após o contato com sangue, varia de 6 a 30% para hepatite B, e 3 a 10% para hepatite C e 0,3% para HIV.

Manifestação Oculares

        As manifestações oculares da AIDS no segmentos anterior são decorrentes se alterações na microvascularização, disfunção do filme lacrimal, infecções oportunistas e neoplasias. As principais são ceratites infecciosas, ceratite por microsporídeos, herpes simples, herpes zoster, ceratoconjuntivite sicca, Stevens Johnson, molluscum contagiosum e sarcoma de kaposi.

LENTES DE CONTATO E  O HIV

        O contato da população sadia com portadores de HIV ou aidéticos aumenta na proporção que essa doença se expande de forma endêmica.

        Há no mínimo dez vezes mais portadores de HIV do que aidéticos. A maioria destes portadores ao tem conhecimento de sua situação sorológica.

        O vírus HIV já foi isolado das lágrimas e de LC de alta hidratação, demonstrando a possibilidade teórica de contaminação de pessoas que lidam com esses pacientes. A quantidade de vírus obtida dessas amostras é pequena, o que torna altamente improvável que sirva como “inoculum” para difundir a doença. Fulikawa e Col. isolaram HIV em lágrimas de aidéticos obtidas com papel de Shirmer; Ablashi e Col. chegaram ao mesmo resultado.

        Tervo e Col. isolaram HIV de LC de alta hidratação usadas por aidéticos, entretanto, os mesmos autores foram incapazes de isolar o vírus de lágrimas obtidas por uma micropipeta diretamente dos olhos desses pacientes.

        É impossível que os vírus nos estudos anteriores sejam decorrentes do atrito do papel de Shirmer ou das LC com a superfície epitelial da conjuntiva palpebral e bulbar, pois o HIV tem sido demonstrado nas raspagens do epitélio conjuntível de aidéticos.

        Apesar desses fatos, até hoje não foi documentada a transmissão do HIV através das lágrimas ou LC e o “Center for Desease Control and Prevention” (CDC) exclui as lágrimas da lista de fluidos orgânicos que são classificados como potencialmente infecciosos. Não sendo, portanto, necessário usar luvas durante o exame oftalmológico de rotina.

        Apesar de não ter sido comprovado o contágio da AIDS através de LC e do manuseio com lágrimas de pacientes, exige confirmação experimental da presença de HIV nesses elementos. Em decorrência disso salientamos a necessidade de proteção com luvas cirúrgicas das pessoas que adaptam LC quando houver ferimentos nas mãos ou soluções de continuidade, principalmente por retirada e cutículas ou lesões periungueais e de desinfecção das LC de prova que devem ser minunciosamente lavadas para eliminar secreções e partículas aderentes.

        As lentes de PMMA, RGP e hidrofílicas devem ser desinfectadas pelo sistema químico (solução de peróxido de hidrogênio corretamente indicada ou clorexidina básica). As lentes hidrofílicas de baixa hidratação devem ser desinfectadas pelo sistema térmico com aquecimento entre 78° e 80°C durante 10 minutos. Os métodos rotineiros de enxágüe e desinfecção com soluções químicas desinfetantes têm conseguido destruir o vírus.

        Os itens apontados pela Academia Americana de Oftalmologia para prevenir contaminação pelo HIV no consultório oftalmológico são os seguintes:

  • Lavar as mãos com sabonete ou similar e secar bem.

  • Não tocar o olho com a ponta do frasco de colírios a ser instilado.

  • Todos os aparelhos que entrar em contato com o paciente durante o exame devem ser desinfectados (especialmente o cone do tonômetro de aplanação).

  • Cuidados especiais no descarte de lenços e outros materiais que entram em contato direto com o paciente.

        Usar luvas quando tocar em sangue ou ferimentos do paciente e em todos os casos quando houver lesões nas mãos do examinador.

Cuidados Especiais para Aidéticos e Portadores de HIV

        Durante a fase de latência da enfermidade, os pacientes HIV positivos não necessitam cuidados especiais. Agir como para as pessoas sadias. Não há evidência de complicações específicas por essa condição.

        Quando a doença de imunossupressão já manifestou, devem ser tomados cuidados mais intensos com a limpeza e desinfecção das lentes para evitar que sejam vetores de elementos patogênicos. As avaliações devem ser mais freqüentes, pois o estado clínico de um paciente com AIDS pode se modificar rapidamente.

        Nos casos em que aparecem sintomas de qualquer infecção ou lesão na conjuntiva ou córnea desses pacientes, o uso de LC deve ser descontinuado e o tratamentos adequado imediatamente instituído. O uso de LC nesses casos pode-se constituir em fator de risco potencial para infecções bacterianas, virais, fúngicas e reações alérgicas.

        Os aidéticos deve ser informados para não permitir o uso de lentes, estojos e soluções oftalmológicas por outras pessoas.

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